O Ego sem Rédeas
Abri uma Comunidade para meu livro Mentalidade Afetiva.
Empolgado com a ideia, reuni os leitores para uma experiência que eu julgava ser
muito construtiva. E foi, para quem soube aproveitar as lições sutis que vão ao
encontro das ideias que julgo necessárias para nossa sociedade doente.
Para minha surpresa eis que surge um leitor ateu a
questionar a necessidade da existência de Deus para que haja a viabilidade da
Mentalidade Afetiva. Achei interessantíssimo o debate que estaria a iniciar.
Eis que surge também um leitor cristão a questionar o questionamento do ateu.
Partindo do princípio que ambos supostamente leram o livro, achei que este
seria o laboratório perfeito para o engrandecimento das ideias de todo o grupo.
Pontuei que entendo Deus não como uma figura antropomórfica, limitada e
humanizada como nos é apresentado pelas religiões, mas como a Origem Primária
de tudo o que existe e que não nos cabe estudá-lo como um objeto. Acreditar que
deus seria um sujeito autoritário e carente, que exige obediência e adoração
seria de fato muito infantil. Por outro lado, negar que existe um Princípio Criador
que está além da nossa compreensão seria negar que todo efeito tem uma causa, o
que estaria fora de qualquer lógica possível.
O fato é que surgiu na discussão um terceiro sujeito a
questionar o questionamento dos dois questionadores. Por ter utilizado um termo
que foi considerado chulo pelos debatedores que debatiam até então, baixou-se o
nível de uma comunidade de ideias sadias e construtivas para uma briga de bar
da pior espécie, o que provocou a saída de diversos membros da minha melhor
estima, o que me deixou muitíssimo chateado. O grupo que construí com tanto
carinho havia se degenerado, e eu sentia que a culpa era minha.
De toda situação se tira uma lição. Esse foi o ambiente
perfeito para observar as nuances do comportamento humano. Agora lanço sobre os
fatos minhas humildes interpretações.
Todos os homens que geraram a contenda são merecedores da
minha admiração, por isso foram escolhidos para participar do grupo, mas com
este episódio aprendi que não basta ter largos conhecimentos e experiências de
vida, é preciso antes de tudo dominar o ego. O que presenciamos neste dia foi
nada mais nada menos que um confronto de egos. O ego nunca está satisfeito. O
ego jamais irá ceder, não aceita perder uma discussão, ele aparece quando menos
se espera. O ego desmedido causa os mais terríveis desacertos. Eu enquanto
criador do grupo atuava como mediador, em que além de pontuar os conceitos do
livro tive que me oferecer para acalmar os ânimos. Pedir calma, pedir respeito,
apaziguar. Depois, absorto em minhas reflexões, pensei se eu mesmo não poderia
ter sido o causador de uma possível discórdia, afinal o ego, traiçoeiro que é,
não perdoa ninguém. Mesmo em um ambiente supostamente controlado, qualquer um
de nós pode se deixar levar pelo ego ferido. Não os julgo, porque até mesmo uma
experiência como essa pode nos render aprendizados consideráveis. Tenho certeza
de que esse deslize não irá se repetir, pelo menos em nosso grupo, mas não pude
esconder minha tristeza em ter perdido membros queridíssimos ao meu coração.
Não pude evitar me sentir culpado e impotente. Questionei muito minha capacidade
de liderança e influência. Criei a comunidade para unir pessoas e acabei
deixando que se separassem. Minha máxima culpa.
Aprendi que no fim do dia tudo é sobre ego. O ego sem
rédeas sempre poderá nos trair a qualquer momento. O ego é o nosso inimigo, não
para ser destruído, mas para ser curado e educado. O ego em seu devido lugar
pode ser base para grandes realizações, mas sem controle pode destruir tudo que
vê pela frente. Voltando à questão, acredito sinceramente que a aceitação de um
Princípio Criador, seja lá sob qual forma se lhe imagine, talvez seja um
exercício de controle do ego. Onde o ego domina o amor enfraquece.

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